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Periféricos Novembro 2011
Fabiana Rolfini
Publicado em 31/10/2011 às 13:08Acessórios Rentáveis
Tablets e smartphones impulsionam o crescimento do segmento gerando promissoras oportunidades de negócios às revendas. Aproveite a projeção das vendas com as datas comemorativas do fim de ano e aumente sua margem de lucro
O atual cenário em que o mercado brasileiro de tecnologia se encontra apresenta grandes oportunidades de negócios às revendas, principalmente para as que trabalham com periféricos. O conceito de mobilidade advindo com o crescimento do segmento de tablets e smartphones traz à tona o momento ideal para o investimento na venda de acessórios, acompanhando, também, o ritmo de crescimento do mercado de PCs e notebooks no país.
De acordo com estudos do IDC, o aumento do poder de compra do consumidor brasileiro, com a ascensão da classe C, foi um dos fatores que impulsionaram o crescimento de alguns segmentos como o de PCs, que este ano cresceu 18% e, segundo estimativas do instituto, deve registrar algo próximo a 18 milhões de equipamentos vendidos em 2012. Já o de notebooks apresentou um crescimento mais agressivo em 2011, de 36%, em relação a 2010, devendo ultrapassar a venda de 8,4 milhões de unidades no Brasil em 2011.
Em relação ao mercado de smartphones e tablets, o analista de mercado do instituto, Bruno Freitas, afirma que as projeções também são otimistas. “Em 2010 foram vendidos 4,7 milhões de smartphones, número que deve chegar a 10 milhões este ano”, comenta. “O segmento de tablets deve ser o que mais crescerá no próximo ano, principalmente agora que existe uma série de benefícios fiscais para as fabricantes que produzirem equipamentos no Brasil”, destaca. Vale ressaltar que, em setembro, foi aprovada pela Câmara dos Deputados a medida provisória 534, que concede incentivos fiscais para a venda de tablets no Brasil, reduzindo a zero as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins que incidem sobre a receita bruta da venda dos produtos.
Diante do cenário promissor, fabricantes aproveitam a época de datas comemorativas como o Natal, em que o poder de compra é maior e investem no lançamento de periféricos com recursos e design diferenciados, principalmente para os tablets. Desta forma, oferecem boas oportunidades para que seus parceiros ampliem seu portfólio e, por consequência, as vendas, atendendo as necessidades de consumidores ávidos por novidades aliadas às ultimas tendências tecnológicas e exigentes pela melhor relação custo-benefício.
A Accvent, que comercializa o portfólio de periféricos para notebooks e desktops da marca Klip Xtreme, possui uma linha completa de acessórios para tablets como sleeves, mochilas, carregadores e caixas de som Bluetooth, tem projeções otimistas para 2012, após alcançar um considerável crescimento em 2011. “Crescemos 80% este ano em relação a 2010. Para o ano que vem, estimamos dobrar este número”, estima Marcio Vidal, country manager da empresa. A Multilaser espera fechar o ano com 50% de crescimento e, para 2012, crescer seu faturamento entre 20 e 30%. “As principais inovações do segmento estão relacionadas a design, funcionalidades e conectividade”, ressalta o gerente de Produtos Danilo Angi Luiz. A SanDisk registrou mais de 100% de crescimento em suas vendas no país e estima manter o número no próximo ano. “Lançamos recentemente um equipamento inédito no mercado de memórias flash, o SanDisk Memory Vault, primeiro produto de uma nova categoria de dispositivos que foram desenvolvidos para preservar dados a longo prazo por até 100 anos”, expõe José Roberto Santos, gerente de Vendas.
Com foco no desenvolvimento de acessórios e periféricos para dispositivos móveis, incluindo smartphones, a Mymax se prepara para apresentar, em 2012, mais de 60 lançamentos ao mercado. “Parte do nosso sucesso em 2011 foi sem dúvida o forte investimento em marketing e ações ao canal. No próximo ano seremos mais agressivos nesse sentido, não só incentivando a revenda como também gerando mais negócios aos parceiros”, declara o diretor geral, Daniel Rosa. Otimista com o desempenho da empresa no mercado, José Eduardo Junior, diretor Comercial da Bit Memory, distribuidora da marca Memory One, adianta a ampliação do portfólio. “Devemos fechar o ano com um crescimento de 20%. Em breve apresentaremos um grande lançamento ao mercado brasileiro”. Para o último trimestre deste ano, a Pixxo anuncia uma nova linha de mouses e headphones da marca Dr-Hank e, para o primeiro semestre de 2012, se prepara para lançar periféricos exclusivos para tablets. “Com os novos produtos Dr-Hank pretendemos alcançar 20% de crescimento em nosso faturamento ainda esse ano”, projeta Robson Laia, gerente de Vendas.
A Delta investe no segmento de carregadores universais no mercado brasileiro, por meio de sua marca de periféricos, a Innergie. Após um ano de estudo de mercado e introdução do conceito, a empresa pretende em 2012 consolidar a marca no país. “Lançaremos uma linha de carregadores universais de alto desempenho e design diferenciado que concentram, além de pontas compatíveis com 95% dos notebooks e netbooks do mercado, portas USB para carregamento simultâneo de tablets, telefones, smartphones, GPS, consoles de games e diversos outros dispositivos que necessitam de carga de energia em qualquer lugar ”, afirma André Teixeira, gerente de Canais da Innergie. Para Beatrice Cheng, gerente de Produto da K-Mex, o mercado brasileiro de periféricos tende a ser mais competitivo, pois muitas empresas internacionais investem em novas tecnologias no país. “Em 2012 a K-Mex continuará com foco no desenvolvimento de novos produtos. No primeiro semestre anunciaremos lançamentos de portáteis”, diz.
Gamers e entusiastas também são potenciais clientes no segmento de periféricos. Com componentes e acessórios para PCs, desenvolvidos especialmente para este público, a norte-americana Corsair aposta em uma nova linha de periféricos, a Vengeance, composta por teclados, mouses e fones de ouvido. “O mercado de periféricos sempre foi impulsionado pelas inovações e nossos novos produtos foram construídos com base nesta premissa, projetados por especialistas em jogos de PC”, aponta Jim Carlton, vice-presidente de Marketing. A Cooler Master, que também desenvolve produtos para gamers, investe na ampliação de sua linha CM Storm, sucesso da empresa. “Incrementamos o portfólio com mouses profissionais nos modelos Sentinel, Inferno e Spawn, com os mais variados níveis de precisão e características, fones de ouvidos, teclado com resistência e tecnologia em clique de teclas para proporcionar precisão e realismo nos jogos, além de um completo gabinete, o Trooper”, detalha Peter Jang, diretor geral.
Competir com a indústria de produtos importados é tarefa árdua às fabricantes nacionais, principalmente devido ao grande número de impostos cobrados no Brasil. De fato, faltam ações mais agressivas do governo para favorecer o ambiente de desenvolvimento de negócios da indústria brasileira. “Nós teríamos um mercado mais aquecido se o sistema tributário fosse revisto”, afirma Charles Blagitz, gerente de Marketing da Coletek. Sérgio Roberto da Silva, gerente de Marketing da Dexcom, é otimista. “Mesmo com a tributação vale a pena trabalharmos com esses produtos, pois o custo-benefício ainda é ótimo”, diz.
“Hoje, existem cerca de seis impostos atrelados aos produtos, todos em efeito cascata. Quem paga a conta é o consumidor final, um produto poderia custar até 70% menos, sem impostos. Por isso, existe o contrabando e é tão difícil competir contra produtos que não pagam impostos”, declara Danilo Angi Luiz, da Multilaser. “Somos contra o comércio de produtos contrabandeados, que não recolhem impostos, desorganizam o mercado local e não dão suporte ao consumidor”, acrescenta André Teixeira, da Innergie, que ainda comenta: “Uma reforma tributária há anos se faz necessária para desenvolver de verdade o país, aumentando o consumo e, consequentemente, o emprego. É o giro saudável da economia”. Apesar de trabalhar 100% com produtos importados, a SanDisk tem planos de investimento na produção no país. “Devido a importância do mercado nacional, estamos analisando a possibilidade de uma produção local ainda em 2011”, adianta José Roberto Santos.
Do mesmo jeito que novas tecnologias entram no mercado todos os dias, muitos produtos vão parar no lixo no mesmo ritmo. Neste sentido, as fabricantes investem na produção de produtos com matérias-primas que causem menor impacto ambiental, bem como em programas de recolhimento e reciclagem do denominado lixo eletrônico, como é o caso da Leadership. “A prática da sustentabilidade é uma prioridade em nossa gestão. Por isso, reciclamos todo nosso lixo eletrônico e buscamos comercializar produtos livres de componentes nocivos ao meio ambiente”, garante o gerente de Produtos, Bruno Lima. A Lifetech também está engajada em práticas sustentáveis. “Estamos fechando uma parceria com uma empresa local para a reciclagem de produtos fora de uso para, desta forma, conceder um benefício ao cliente que colaborar conosco”, afirma Silvio Luiz Martins, gerente nacional de Vendas.
A Dexcom, distribuidora que possui uma marca própria de periféricos, a Dextop, apoia o projeto e-lixo maps, uma ferramenta de busca, desenvolvida para o mapeamento e cadastramento de postos de coleta e reciclagem de lixo eletrônico em todo Brasil. Atenta a importância de se destinar corretamente o lixo eletrônico, a Mymax lançará em breve uma política de logística reversa que possibilitará o retorno desse lixo sem que cause impacto ao meio ambiente. Também alinhada ao conceito de sustentabilidade, a Coletek disponibiliza um informativo sobre o descarte do lixo junto com todo produto que fabrica.
Vendas lucrativas
É importante salientar que, para obter sucesso na venda de periféricos, a revenda deve estar atenta a alguns pontos essenciais. Um deles é não somente vender os acessórios como itens únicos, mas também como complementos no momento em que vende outros equipamentos como PCs, notebooks, smartphones e tablets. “Oferecer periféricos ao cliente na hora da compra de portáteis ou computadores, agrega valor ao produto principal. Vender mouses, teclados, webcams, caixas de som juntamente com PCs, por exemplo, gera maior lucratividade para a revenda”, indica Marinela Douvletis Oliveira, gerente de Marketing da Neox, empresa que projeta crescer 55% em 2012.
“O revendedor deve ressaltar os benefícios que o consumidor ganha em termos de produtividade, conforto e melhor utilização de seu computador. Em geral o consumidor tem muito claro em sua mente que deseja comprar um computador, mas não alguns acessórios. Quando os benefícios são claros e entendidos, facilmente ele os reconhece e realiza a compra”, reforçam Fabio Ranieri, gerente de desenvolvimento de Negócios e Fabiano Takahashi, diretor da unidade de Negócios Comercial, ambos da área de Computação Pessoal da HP. Segundo Dave Sousa, diretor de Desenvolvimento de Marca da Manhattan, os consumidores estão dispostos a gastar mais em novas tecnologias e atualizar os seus periféricos. “Uma linha abrangente de produtos é a chave para impulsionar os lucros”, afirma o executivo. “Comercializar produtos de qualidade, de fabricantes reconhecidos e que tenham uma política de RMA segura é importante para desenvolver bons negócios”, comenta Paulo Godoy, coordenador de Vendas da Wisecase.
Para Ligia Pretel Eimantas, gerente de Marketing da Newlink, o ponto de venda costuma ser um grande aliado da revenda para atrair a atenção do consumidor e garantir uma venda. “O modo como o produto é exposto, com a embalagem e até mesmo com o produto em si aparente, pode ser uma estratégia para valorizar esta exposição e aumentar as vendas”, declara. Mauro Hiroshi, gerente de Marketing e Produtos da Meb, distribuidora das marcas Mtek e Macally, enfatiza a ideia de que a revenda deva expor seus produtos com destaque. “O revendedor pode fazer uma venda casada de um notebook junto com uma base refrigerada, ou um tablet com uma capa protetora, por exemplo. Basta expô-los adequadamente como um conjunto harmonioso”, aponta.
Com o objetivo de auxiliar os parceiros a desenvolverem bons negócios e obterem sucesso nas vendas, as fabricantes de periféricos oferecem aos canais treinamentos e ferramentas para que conheçam melhor o produto, assim como técnicas para vendê-los. A SanDisk, por exemplo, possui um portal exclusivo para parceiros, com todos os tipos de informações, imagens, campanhas e anúncios e também oferece treinamentos constantes. Além de apoiar o canal com materiais promocionais e displays que ajudam a deixar o ponto de venda mais atrativo, a Maxprint os atualiza com treinamentos sobre o mercado e produtos, por meio do programa Universidade Maxprint. “Já treinamos mais de sete mil profissionais de todo o Brasil”, comemora Adelaide Anzolin, diretora Comercial.
Para dar suporte às revendas, a Genius oferece capacitações e treinamentos como forma de apresentar a gama de soluções que disponibilizam ao mercado e o que cada produto proporciona. “Contamos também com o novo centro de serviço para o suporte pós-venda, com assistência técnica e suporte para solução de dúvidas dos consumidores”, ressalta Diego Ferrari, gerente de Produtos.
Vender periférico é de fato lucrativo, em um momento em que há uma mudança no comportamento do consumidor, que passa a prezar pelo produto com melhor relação custo-benefício do que o mais barato. O ritmo acelerado em que cresce o mercado de tablets e smartphones oferece grandes oportunidades para que as revendas ampliem seu portfólio e aumentem a lucratividade. Expor os periféricos adequadamente nos pontos de venda e oferecê-los como complementos às compras de outros equipamentos é essencial para o sucesso.













